segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Dia 7 (02AGO14) Sestriere - Sauze d'Oulx

Finalmente chegamos à última etapa, etapa que era desejada por todos os atletas, porque seria um último esforço para atingir os objetivos a que cada um se propôs.
Por norma todos pensamos que é uma etapa de consagração, mas pela minha experiencia e por todo o que já tinha passado, esta etapa tinha de ser encarada como mais um desafio a vencer para que quando passasse por baixo do arco, pudesse festejar mais uma conquista.
No briefing a organização alertou os atletas que a etapa não tinha nada de especial, mas não podíamos encarar a mesma com muita facilidade, pois o final só terminava depois de passar a linha de meta.
A organização também alertou para os últimos 10 quilómetros, que não sendo muito difíceis, são sempre muito estressantes e psicologicamente duros, porque parece que nunca acabam.
Esquema da etapa.
A etapa era constituída apenas por 2 cumes, onde a organização chamou a atenção para os últimos quilómetros do primeiro cume, que era um pouco técnico.
A etapa tinha uma distância de 62 km, com um acumulado de 2044 metros, com um tempo estimado para concluir a etapa de 4 horas e 30 minutos e um tempo máximo de 6 horas e 30 minutos.
A partida foi feita novamente individualmente e passados poucos metros apanhamos um teleférico que nos transportou até uma altitude de 2700 metros, para despois iniciarmos uma descida de cerca de 10 quilómetros. A descida tinha alguns pontos bastante técnicos, mas deu para fazer toda montado. Durante a descida tive que optar por um ritmo mais baixo do que pretendia, devido a ter algumas dores no pulso esquerdo, devidas as duas quedas na etapa do dia anterior.
Depois começou a subida para o primeiro cume que começou ao km 13 e perlongou-se até ao km 22, onde iriamos subir dos 1500 metros até aos 2400 metros.
Quando iniciei a subida sentia-me cansado e sem forças nas pernas, devido ao desgaste da etapa do dia anterior e por isso iniciei a subida com alguma calma. A subida tinha um piso com muita tração, mas por vezes a inclinação era tanta, que tive de desmontar algumas vezes. Com este constante montar e desmontar, cheguei ao cume com duas horas de prova e comecei a ficar preocupado, pois já tinha passado quase metade do tempo previsto para terminar a prova e só tinha percorrido 20 km  dos 62 totais.
Felizmente a descida depois do cume era bastante acessível e deu para fazer quase toda montado na bike e recuperar algum tempo perdido.
A partir do quilómetro 37 seria sempre a subir até ao quilómetro 49, onde surgiram alguns troços bastante técnicos e perigosos que tiveram de ser feitos com a bike as costas. Com esta situação demorei 1hora e 40  minutos para fazer 12 quilómetros.
Quando cheguei ao cume reparei que estava muito perto das 4 horas e 30 minutos de prova, tempo estimado que a organização deu para terminar a prova e ainda faltavam 12 quilómetros para a meta, dos quais os ultimo 10 quilómetros eram a subir.
 Iniciei a descida um pouco preocupado com o tempo e mais preocupado fiquei porque a descida era bastante técnica o que me fez andar muito tempo a pé.
Quando cheguei ao km 56, começou a  ultima subida que me levaria até a meta, mas o problema é que a mesma tinha troços bastante técnicos o que me obrigava a um constante montar e desmontar da bike, provocando grande desgaste físico e psicológico, porque o tempo continuava a contar e os quilometro demoravam a passar. Felizmente que a meio da subida apareceu um trilho numa floresta que era um sobe e desce suave que deu para recuperar algum tempo perdido e também me levantou a moral, para ganhar mais força para os quilómetros finais.
Faltando dois quilómetros para a meta, entramos na vila de Sauze d'Olux, onde percorremos cerca de um quilómetro a subir e depois foi a descer até a meta.
Registo do meu garmin. Meu registo
No final deste desafio, percorri 569 quilómetros em 51 horas e 26 minutos com um acumulado de 25363 D+. A classificação final penso que foi 37º da geral.

Quando passei o arco de meta, fiquei emocionado e acabei por chorar de alegria e satisfação por ter superado este enorme desafio.
 
Depois fiquei junto da meta a espera dos outros bravos tugas para poder partilhar a alegria de terminar esta epopeia por terras Italianas.


E para finalizar este o projeto que foi o Ironbike, resta agradecer a todos os que tornaram possível esta minha aventura por terras Italianas
Binaclinica: pela excelente preparação da bike.
A todos os meus amigos, os membros do BTTrupe e os do Facebook, pelo incentivo e apoio durante os meses de preparação e depois durante o decorrer da prova;
Ao Tuga Team, que desde a viagem de lisboa se soube unir e apoiar mutuamente para que todas as dificuldades que foram aparecendo, fossem ultrapassadas da melhor forma para que todos pudessem atingir o final desta maravilhosa aventura.
Teresa: a minha outra metade, pelo apoio, dedicação, incentivo, paciência,...sei que não foi fácil, sobretudo aturares-me naqueles dias em que as coisas não estavam a correr tão bem.
Ao meu filho Tomás que cada vez que chegava a casa exausto dos treinos que fazia diariamente, me dizia que "quando for grande quero ser como tu", palavras que me davam incentivo para continuar a treinar.
Para terminar deixo uma frase que me acompanhado constantemente ao longo da vida e que me tem permitido superar todas as dificuldade que tenho encontrado ao longa da minha vida, e que encaixa perfeitamente neste desafio que acabei de superar. "Treino difícil, Combate fácil."
Até breve se deus quiser.

domingo, 17 de agosto de 2014

Dia 6 (01AGO14) Rifugio Selleries - Sestriere

A 6ª etapa era considerada pela organização coma a etapa rainha do Ironbike.
A etapa tinha uma distância de 90 km, com um acumulado de 2936 D+ e a organização prévia como tempo estimado para concluir a etapa de 8H30 minutos e um tempo máximo de 11H30 minutos.
No briefing a organização informou que nesta etapa muitos atletas não conseguem terminar a mesma no tempo máximo e perdem a oportunidade de serem finishers. Informou ainda que para agravar esta situação as condições atmosféricas vão ser más, com muita chuva e frio.
No final do briefing fiquei um pouco preocupado, porque nos dias anteriores já tinha passado por tantas dificuldades que não imaginava o que podia ainda ser pior.
Esquema da etapa.
A principal dificuldade seria a subida ao cume "Chaberton" numa altitude de 3100 metros, que começava por volta do km 50 a uma altitude de 1200 metros e terminava no km 63 numa altitude de 3100metros, ou seja em 13 km subíamos 1900 metros.
O início da etapa estava previsto para as 07H00, mas devido as condições meteorológicas a mesma foi iniciada pelas 08H00, porque a organização teve de confirmar os trilhos primeiro, antes dos atletas passarem, pois os mesmos podia estar muito perigosos. 
O início da etapa tinha como atrativo uma especial no "Forte Delle Vallli", que era constituída por um percurso com 4000 mil degraus, algumas delas dentro do próprio forte.
Eu estava curioso por fazer essa especial, porque os vídeos que aparecem na net são espetaculares.
A especial começava poucos quilómetros depois da partida e por isso inicie a mesma com vontade de fazer todos os degraus, montado. 
Comecei a especial e logo comecei a passar muitos atletas que iam a descer as escadas desmontados, só que num determinado local as escadas inclinaram muito e não consegui fazer uma curva para a direita e dei um valente trambolhão pelas escadas abaixo. A partir desse momento fiquei com receio de mais quedas e por isso acabei por fazer praticamente o resto dos degraus a pé. Hoje quando penso na queda, acho que tive muita sorte, porque com um pouco de azar podia ter-me magoada a sério.



Depois da especial, parei num abastecimento para comer e beber alguma coisa e segui para a etapa.
Até ao primeiro teleférico optei por colocar um ritmo rápido, para poder chegar bem cedo ao teleférico e não perder muito tempo para apanhar o mesmo.
Por isso fui o primeiro a chegar ao teleférico e fui dos primeiros a subir.
Depois de sair do teleférico havia uma pequena descida e uma subida até ao segundo teleférico, que foi feita com tranquilidade juntamente com mais alguns atletas.
Depois apanhamos o segundo teleférico que nos levou mais para cima, até aos 2700 metros, onde apanhamos uma descida em pedra solta, que nalguns pontos era preciso ter cuidado para não ter nenhuma surpresa.
Depressa chegamos ao km 50, início da tão temida subida ao monte "Chaberton". Neste momento tinha 4 horas de prova.
O início da subida apesar de ser um pouco inclinada dava para subir montado na bike, mas esta situação não iria ser por muito tempo, pois a partir do km 57, a subida tornou-se tão inclinada e tão técnica que o resto foi feita sempre com a bike as costas, ou seja, foram 6 quilómetros demolidores e muito desgastantes.
Por muito que queira escrever, não consigo transmitir por palavras a dureza da subida até ao cume.
Uma foto da subida. Este atleta é o líder dos atletas da classe Master.

Só para a subida demorei 3 horas para fazer os duríssimos 13 quilómetros.
No final da subida existia um pequeno abastecimento onde estive parado uns minutos para comer e descansar um pouco.
Depois iniciei a descida que nos primeiros metros era o mesmo trilho da subida e só mais tarde é que apanhávamos um trilho só para os atletas que desciam.
 Depois o trilho da descida começou a tornar-se tão técnico e perigoso que mais uma vez foi feito a pé para evitar as quedas. Como o tempo passava e os quilómetros demoravam a passar, numa parte técnica resolvi arriscar um pouco, mas infelizmente acabei por cair no meio das pedras e por isso lá continuei a descer com a bike as costas.
Fotos de algumas partes da descida do percurso.

Depois de terminar a descida apanhamos novamente um teleférico que nos fez subir mais 400 metros para depois apanhar um trilho a subir que nos levava até a chegada. O problema é que o trilho a subir mais uma vez tinha troços que só se conseguia andar a mão, um deles era a subir um leito de um ribeiro, que em alguns partes tínhamos que colocar primeiro a bike na parte de cima e depois é que conseguíamos subir.
Depois destas dificuldades todas, acabei por fazer um total de 9 horas e 25 minutos, para percorrer os 92 quilómetros da etapa que teve um acumulado de 4978 D+.
Cheguei ao final da etapa muito cansado e desgastado, mas com a certeza que tinha terminado uma etapa com uma dureza extrema e que estava no bom caminho para terminar esta aventura com sucesso.
Depois de terminar a etapa, fui comer, tomar banho e fiquei ansiosamente a espera dos outros bravos tugas, fazendo figas para que os mesmos conseguissem terminar a etapa dentro do tempo máximo estipulado.
No final quando eles chegaram, tiramos uma foto para a posterioridade.
Registo do meu Garmin.meu registo
Depois desta etapa, resta descançar e recuperar o melhor possivel para que amanhã no final se possa fazer a festa de consagração.