domingo, 17 de agosto de 2014

Dia 6 (01AGO14) Rifugio Selleries - Sestriere

A 6ª etapa era considerada pela organização coma a etapa rainha do Ironbike.
A etapa tinha uma distância de 90 km, com um acumulado de 2936 D+ e a organização prévia como tempo estimado para concluir a etapa de 8H30 minutos e um tempo máximo de 11H30 minutos.
No briefing a organização informou que nesta etapa muitos atletas não conseguem terminar a mesma no tempo máximo e perdem a oportunidade de serem finishers. Informou ainda que para agravar esta situação as condições atmosféricas vão ser más, com muita chuva e frio.
No final do briefing fiquei um pouco preocupado, porque nos dias anteriores já tinha passado por tantas dificuldades que não imaginava o que podia ainda ser pior.
Esquema da etapa.
A principal dificuldade seria a subida ao cume "Chaberton" numa altitude de 3100 metros, que começava por volta do km 50 a uma altitude de 1200 metros e terminava no km 63 numa altitude de 3100metros, ou seja em 13 km subíamos 1900 metros.
O início da etapa estava previsto para as 07H00, mas devido as condições meteorológicas a mesma foi iniciada pelas 08H00, porque a organização teve de confirmar os trilhos primeiro, antes dos atletas passarem, pois os mesmos podia estar muito perigosos. 
O início da etapa tinha como atrativo uma especial no "Forte Delle Vallli", que era constituída por um percurso com 4000 mil degraus, algumas delas dentro do próprio forte.
Eu estava curioso por fazer essa especial, porque os vídeos que aparecem na net são espetaculares.
A especial começava poucos quilómetros depois da partida e por isso inicie a mesma com vontade de fazer todos os degraus, montado. 
Comecei a especial e logo comecei a passar muitos atletas que iam a descer as escadas desmontados, só que num determinado local as escadas inclinaram muito e não consegui fazer uma curva para a direita e dei um valente trambolhão pelas escadas abaixo. A partir desse momento fiquei com receio de mais quedas e por isso acabei por fazer praticamente o resto dos degraus a pé. Hoje quando penso na queda, acho que tive muita sorte, porque com um pouco de azar podia ter-me magoada a sério.



Depois da especial, parei num abastecimento para comer e beber alguma coisa e segui para a etapa.
Até ao primeiro teleférico optei por colocar um ritmo rápido, para poder chegar bem cedo ao teleférico e não perder muito tempo para apanhar o mesmo.
Por isso fui o primeiro a chegar ao teleférico e fui dos primeiros a subir.
Depois de sair do teleférico havia uma pequena descida e uma subida até ao segundo teleférico, que foi feita com tranquilidade juntamente com mais alguns atletas.
Depois apanhamos o segundo teleférico que nos levou mais para cima, até aos 2700 metros, onde apanhamos uma descida em pedra solta, que nalguns pontos era preciso ter cuidado para não ter nenhuma surpresa.
Depressa chegamos ao km 50, início da tão temida subida ao monte "Chaberton". Neste momento tinha 4 horas de prova.
O início da subida apesar de ser um pouco inclinada dava para subir montado na bike, mas esta situação não iria ser por muito tempo, pois a partir do km 57, a subida tornou-se tão inclinada e tão técnica que o resto foi feita sempre com a bike as costas, ou seja, foram 6 quilómetros demolidores e muito desgastantes.
Por muito que queira escrever, não consigo transmitir por palavras a dureza da subida até ao cume.
Uma foto da subida. Este atleta é o líder dos atletas da classe Master.

Só para a subida demorei 3 horas para fazer os duríssimos 13 quilómetros.
No final da subida existia um pequeno abastecimento onde estive parado uns minutos para comer e descansar um pouco.
Depois iniciei a descida que nos primeiros metros era o mesmo trilho da subida e só mais tarde é que apanhávamos um trilho só para os atletas que desciam.
 Depois o trilho da descida começou a tornar-se tão técnico e perigoso que mais uma vez foi feito a pé para evitar as quedas. Como o tempo passava e os quilómetros demoravam a passar, numa parte técnica resolvi arriscar um pouco, mas infelizmente acabei por cair no meio das pedras e por isso lá continuei a descer com a bike as costas.
Fotos de algumas partes da descida do percurso.

Depois de terminar a descida apanhamos novamente um teleférico que nos fez subir mais 400 metros para depois apanhar um trilho a subir que nos levava até a chegada. O problema é que o trilho a subir mais uma vez tinha troços que só se conseguia andar a mão, um deles era a subir um leito de um ribeiro, que em alguns partes tínhamos que colocar primeiro a bike na parte de cima e depois é que conseguíamos subir.
Depois destas dificuldades todas, acabei por fazer um total de 9 horas e 25 minutos, para percorrer os 92 quilómetros da etapa que teve um acumulado de 4978 D+.
Cheguei ao final da etapa muito cansado e desgastado, mas com a certeza que tinha terminado uma etapa com uma dureza extrema e que estava no bom caminho para terminar esta aventura com sucesso.
Depois de terminar a etapa, fui comer, tomar banho e fiquei ansiosamente a espera dos outros bravos tugas, fazendo figas para que os mesmos conseguissem terminar a etapa dentro do tempo máximo estipulado.
No final quando eles chegaram, tiramos uma foto para a posterioridade.
Registo do meu Garmin.meu registo
Depois desta etapa, resta descançar e recuperar o melhor possivel para que amanhã no final se possa fazer a festa de consagração.


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